passei tanto tempo me escondendo atrás do meu sorriso depois da tua ida, que não sei se me lembro como era o teu, cheia de pessoas tão vazias, mas ainda sim fartas, que insistiam em me rodear de palavras; calma. é só se manter longe. longe, bem longe. que de longe nada afeta. longe dos olhos, longe do coração.
três meses lotados de tentativas de te encontrar num copo de álcool barato, numa ponta de cigarro borrada de batom, em lugares escuros e cobertos pela fumaça que saía por escapamentos humanos tão surperficiais quanto os reais, todos aqueles olhares tão vazios, todos aqueles sorrisos tão cheios, resolvi me perder, me perder de mim, das minhas lembranças, me perder do teu sorriso, das tuas palavras, do teu amor. e quanto mais olhava aquelas pessoas ao meu redor, mais te encontrava, a cada olhar, a cada gesto, a cada gole, eu poderia enlouquecer ali mesmo.
voltei pra casa depois de uns longos minutos e de fortes lamentações por ter falhado no própio acerto, entrei no carro, meia noite, liguei o rádio. além dos pensamentos, queria outros ruídos no cérebro. mais profanos, menos confusos. com o celular na mão, e o teu número nele, mas eu não podia, mesmo bêbada, parada no meio de uma rua, mesmo ridícula com a cara borrada com maquiagem de outro alguém, eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria, ou não sabia mais como parava ou voltava atrás. eu não queria voltar pro teu abismo, mesmo o meu sendo mais escuro, podre, melancólico, eu tinha a verdade e sabia que mais do que querer você de volta, eu me queria de volta, queria a felicidade nos meus olhos mirados em você. queria a gente, eu queria tudo de novo, as coisas antigas, as primeiras, as músicas númeradas, os teus vícios, queria a triste felicidade de poder estar contigo. ou talvez eu só precise de mais um porre, e um falso amor.
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